Escalada do diesel incomoda caminhoneiros e faz Bolsonaro questionar Petrobras

Os preços dos combustíveis sobem praticamente toda semana desde o fim de maio. Os reajustes afetam todos os motoristas, mas causam particular incômodo entre os caminhoneiros, que hoje pagam pelo diesel quase os mesmos valores que estimularam a categoria a deflagrar a greve de maio de 2018.

A insatisfação fica evidente em mensagens de grupos de transportadores no WhatsApp. E se soma ao desconforto provocado pelo projeto apelidado de “BR do Mar”, iniciativa do governo para incentivar a navegação de cabotagem que, na avaliação de algumas lideranças, pode tirar trabalho de caminhoneiros.

A categoria, que apoiou Jair Bolsonaro na eleição realizada meses depois da greve, tem interlocutores no governo. E já fez chegar ao Palácio do Planalto seu descontentamento com o custo do combustível. Na última quinta-feira (17), em sua live semanal nas redes sociais, o presidente revelou ter questionado o comando da Petrobras sobre os preços do diesel. Negou a intenção de interferir na estatal, mas em seguida afirmou: “Nós fazemos o que é possível pelos caminhoneiros”.

Bolsonaro disse ter ouvido de Roberto Castello Branco, presidente da empresa, que os preços do diesel na refinaria ainda estão 20% inferiores aos de 2019, mas que o mesmo não ocorre nos postos.

“Mas, no final, na bomba, está maior. De onde vem? Dos impostos. Os federais, a Cide está zerada. Os estaduais, varia, em torno de 30%. Entra ainda a margem de lucro das distribuidoras e do próprio posto”, disse Bolsonaro na transmissão ao vivo. “Estamos tentando quebrar o monopólio [das distribuidoras], mas não é fácil.”

Embora a Cide esteja zerada, há cobrança de outros dois tributos federais sobre o diesel: PIS e Cofins, que juntos correspondem a R$ 0,327 por litro. Enquanto isso, os estados cobram ICMS com alíquotas que variam de 12% a 18% na maioria dos casos, com exceção de Maranhão, onde a alíquota é de 18,5%, e Amapá (25%).

Em fevereiro deste ano, Bolsonaro desafiou os governadores a zerar os tributos, para permitir que o recuo dos preços nas refinarias chegasse às bombas. Como o ICMS dos combustíveis têm peso importante na arrecadação dos estados, muito maior que a relevância de PIS e Cofins nas contas federais, ninguém topou.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/preco-diesel-incomoda-caminhoneiros-bolsonaro-petrobras/

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