Vai abastecer? Confira nossas dicas para não cair na cilada do preço baixo!

Em época de inflação alta, todo mundo fica de olho em uma alternativa para gastar menos. Isso não é diferente quando o assunto é posto de combustível e, justamente, nesses momentos, é que se deve redobrar a atenção.

Aparece posto com promoção considerada “imperdível”, surgem aplicativos de comparação de preços e estabelecimentos que parecem fazer mágica, cobrando bem menos que a média da região. Nesses casos, o conselho é: tenha muito cuidado, pois o barato pode custar caro!

Para não cair na cilada do preço baixo, anote essas dicas:

  • A bandeira, ou seja, a marca do posto, é conhecida? Se for um estabelecimento que você não conhece, fique muito atento aos sinais de irregularidade. O melhor é passar direto e não arriscar;
  • Procure abastecer em postos de sua confiança, que já têm credibilidade na sua jornada de consumo;
  • Mas, se não tiver outra opção, acompanhe o abastecimento e fique atento a qualquer sinal de mau funcionamento do seu veículo;
  • Além disso, peça a nota fiscal e documente todo o seu consumo. Isso ajuda na hora de acionar os órgãos de defesa do consumidor e de investigação, como Procons, polícias e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
  • Cuidado com os “apps” de busca de preço. Nem sempre eles informam valores que correspondem à realidade: você chega no local e o valor da bomba já é outro. Além disso, eles não levam em consideração a qualidade do produto, nem mesmo a reputação do posto; e
  • Preço baixo demais, fora da média de mercado, pode ser sinal de posto irregular, que altera qualidade e quantidade da gasolina, do etanol ou do diesel. Não custa lembrar que o barato sai caro. Combustível adulterado pode prejudicar seriamente o motor do seu veículo, te deixando a pé.

Como é formado o preço da gasolina?

Vamos falar de um combustível muito usado nos carros comuns, como a gasolina C? Ela é resultado da gasolina A misturada a etanol anidro. Pois bem, seu preço final é resultado da soma de alguns componentes. Nele, estão incluídos:

  • Os preços do produtor ou importador da gasolina tipo A (no Brasil, esse papel é predominante da Petrobras e varia de acordo com o preço do barril do petróleo no mercado internacional e a cotação do dólar);
  • Os custos do etanol anidro misturado na proporção de até 27% na gasolina comum e 25% na premium;
  • Impostos Federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins);
  • Tributos Estaduais (ICMS) (assista ao vídeo e confira a carga tributária da gasolina); e
  • O valor agregado de logística e comercialização.

Qualquer irregularidade tributária (sonegação e inadimplência) ou operacional (mistura de produtos e fraude de qualidade e quantidade) interfere diretamente no valor final ao consumidor.

Tributos são responsáveis por até 45% do preço final

No Brasil, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis varia de estado para estado, o que abre brecha para a ocorrência de sonegações bilionárias de impostos. Enquanto o ICMS sobre a gasolina é de 25% em estados como Amazonas, Goiás e São Paulo, chega a 34% no Rio de Janeiro. São 9 alíquotas que geram desequilíbrios concorrências e oportunidades de descaminho de produtos.

“Dentro da composição de preços, o que mais pesa hoje é o ICMS. Uma solução para resolver esse problema é a simplificação e uniformização tributária, com adoção de um valor fixo único para cada produto, na modalidade ‘ad rem’, em todo o território nacional. Além disso, é preciso adotar a concentração da cobrança dos impostos no elo da produção ou importação e equiparar as alíquotas dos combustíveis com similares, como nafta, solventes e correntes”, defende Carlo Faccio, diretor do Instituto Combustível Legal (ICL).

Faccio salienta, ainda, o “efeito cascata” provocado no ICMS, que utiliza o cálculo da alíquota do imposto sobre o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF), que é um componente publicado a cada 15 dias para definir os novos preços de gasolina, etanol e diesel – “ad valorem”. “O ICMS dos estados sempre leva em consideração esse preço médio ponderado, numa matemática bem complicada de entender”, lembra.

Ele também destaca que a simplificação tributária trará uma redução de custos com fiscalização, necessária para coibir estas práticas anticoncorrenciais, além, é claro, de uma maior previsibilidade arrecadatória para os estados.

Por fim, destaca o diretor, é importante que o consumidor escolha postos de sua confiança ao abastecer. “E sempre peça a nota fiscal! Ele é o seu comprovante em caso de denúncia de irregularidade”.

 

Fonte: https://institutocombustivellegal.org.br/vai-abastecer-confira-nossas-dicas-para-nao-cair-na-cilada-do-preco-baixo/

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