NÃO É APENAS A CONDIÇÃO CLIMÁTICA QUE INFLUÊNCIA O AUMENTO OU REDUÇÃO DA ATR

A obtenção de mais quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana tem muito a ver com a qualidade do corte mecanizado

Na safra canavieira 2020/21 na região Centro-Sul a qualidade da matéria-prima atingiu 144,72 kg de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar no atual ciclo, contra 138,57 kg na safra 2019/2020 (+4,44%). Esse alto índice obtido no último ciclo, equipara-se aos números da época de corte de cana queimada colhida manualmente.

Esse crescimento muito se deve a grande estiagem registrada em 2020. Especialistas observam que as condições climáticas pesam muito para o aumento ou redução da ATR, mas outros fatores também influenciam, um deles é a colheita mecanizada, registrada em quase 100% dos canaviais da região Centro-Sul do Brasil.

Para que a ATR tenha menor perda com o corte com máquinas é preciso tomar alguns cuidados, começando com a escolha das variedades de cana, que devem ser eretas, pois canaviais deitados e entrelaçados dificultam o corte, afetam a eficiência do mecanismo de limpeza da colhedora, gerando mais impurezas minerais (terra e pedras). As variedades também precisam apresentar facilidade de despalhe, reduzindo as impurezas vegetais na hora do corte.

O bom planejamento da sistematização da colheita também é fundamental, é preciso dar preferências por áreas que permitam o desenho de tiros mais longos, com menos obstáculos e manobras e entrelinhamento correto.

Já as colhedoras precisam estar bem equilibradas, e seus componentes, como as pás da hélice, o eixo do ventilador e as faquinhas, devem estar em perfeitas condições de uso. É necessário manter a rotina de limpeza em dia, especialmente dos pontos de graxeira. E no momento da colheita é fundamental atentar para velocidade da colhedora, lembrando que não se trata de uma corrida de máquinas, e que o foco é a qualidade da operação. Outros pontos de atenção são: a altura do corte (principalmente se o despontador estiver ligado) e a rotação do extrator primário.

Além de realizar um corte mecanizado de forma correta, é primordial colher na época certa, em que a cana está madura. A chamada maturação é o processo fisiológico que envolve a formação de açúcares nas folhas e seu deslocamento e armazenamento nos colmos.

A maturação da cana se dá quando os colmos completam seu estágio de desenvolvimento e passam a acumular sacarose. A cana no ponto certo de maturação apresenta menor impureza, pois suas folhas estarão secas e sairão com maior facilidade, além do colmo ser menos fibroso por ter porcentagem maior de sacarose.

Para colher a cana na época mais certa de sua maturação, é necessário elaborar uma estratégia de colheita tendo como base o período de maturação. Mas como nem sempre isso é possível, é preciso colocar em prática outras alternativas, como: adotar variedade de cana que apresentam Período de Utilização Industrial (PUI) mais longo; utilizar alguns métodos como a fertilização foliar, prática que pesquisadores defendem como forma de manter a fotossíntese da planta, evitando que gaste sacarose no estágio de pré-maturação; ou aplicar maturadores químicos.

 

 

Fonte: http://www.ideaonline.com.br/conteudo/nao-e-apenas-a-condicao-climatica-que-influencia-o-aumento-ou-reducao-da-atr.html

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