Etanol polui realmente menos do que gasolina em carro flex? Não é bem assim

Em quantidade de emissões, etanol e gasolina se equivalem em motores flex; contudo, combustível vegetal gera substâncias menos nocivas à saúde - Reprodução

 

A adoção do etanol em larga escala para abastecer automóveis no Brasil é apontada como uma enorme vantagem frente a outros países em termos ambientais. Por se tratar de um combustível renovável e de origem vegetal, o etanol compensa as emissões de dióxido de carbono, provenientes da respectiva queima no motor, durante o próprio ciclo de produção.

Isso acontece porque a cana-de-açúcar do qual é extraído, como toda planta, retira o CO2 da atmosfera e o converte em oxigênio – algo que a gasolina e o diesel, derivados do petróleo, não são capazes. Vale destacar que o dióxido de carbono não é considerado poluente, por ser um gás natural que compõe a atmosfera terrestre. No entanto, ao mesmo tempo, trata-se de um dos maiores vilões do aquecimento global. Porém, em carros flex, dá para cravar que usar etanol e não gasolina realmente polui menos? De acordo com especialistas consultados por UOL Carros, sob certo aspecto, a resposta é “não”. Renato Romio, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia, destaca que, para fins de homologação, os motores são calibrados para emitir a mesma quantidade de poluentes, como monóxido de carbono, NOx (óxidos de nitrogênio) e hidrocarbonetos – tanto com gasolina quanto com etanol.

“As fabricantes fazem os projetos de forma a atender as normas de poluição, independentemente do combustível utilizado. Ajusta-se o motor para não ultrapassar os limites estabelecidos de emissões de cada substância nociva”, explica o engenheiro.

Poluentes da gasolina são mais nocivos

Bomba combustível - Shutterstock - Shutterstock

 

O também engenheiro Ricardo Abreu, consultor da Bright Consulting, concorda com o colega quanto à equidade do etanol e da gasolina em quantidade de poluentes emitidos. No entanto, Abreu destaca que, em termos qualitativos, a queima do combustível proveniente da cana-de-açúcar expele na atmosfera resíduos menos nocivos à saúde.

Portanto, seus benefícios vão muito além da compensação do dióxido de carbono. “Se você medir as emissões do mesmo motor com etanol e depois com gasolina, de fato elas serão semelhantes na quantidade. Contudo, a gasolina emite substâncias mais prejudiciais”, afirma o consultor.

Ricardo Abreu menciona, por exemplo, os hidrocarbonetos, que são resultantes do combustível não queimado no motor. “Os hidrocarbonetos gerados pela gasolina contêm benzeno, altamente tóxico, enquanto os do etanol não trazem essa substância. O álcool combustível, por outro lado, emite hidrocarbonetos com mais acetaldeído, também perigoso, porém menos nocivo do que o benzeno”, pontua.

Abreu destaca que as duas alternativas de abastecimento se equivalem em emissões de óxidos de nitrogênio. Mas o etanol, além de compensar o CO2 gerado, por meio da fotossíntese da cana, tem emissão cerca de 5% menor do gás.

Além disso, proporciona outro ganho ambiental no caso de motores flex equipados com injeção direta de combustível, que têm ganhado popularidade. De acordo com o especialista, essa tecnologia gera mais quantidade de material particulado, causador de doenças pulmonares.

“A diferença é que o etanol, nesses motores, gera muito menos material particulado na comparação com o derivado de petróleo, seja gasolina ou diesel”.

 

Fonte: https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2020/11/06/etanol-polui-realmente-menos-do-que-gasolina-em-carro-flex-nao-e-bem-assim.htm

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